A privacidade é supervalorizada.
Um dos temas mais abordados hoje, ao se falar de internet e redes sociais, é a questão da privacidade. Existe o senso comum de que sofremos com esse problema ao participar de redes sociais e de como isso é prejudicial à nossa liberdade. O problema é que o "senso comum" sempre me assusta.
Não vou jogar dados e estatísticas, todo mundo já está saturado dessas informações, o que eu quero é propor um exercício de reflexão.
Por que as pessoas estão tão preocupadas com privacidade? Sim, eu sei, queremos nossa liberdade, queremos poder fazer o que der vontade sem que todos fiquem sabendo. Mas já paramos para pensar que o que queremos "esconder", geralmente, são coisas que sob alguma ótica consideramos "erradas"? Não queremos que nossos colegas de trabalho saibam as besteiras e idiotices que fazemos em nosso tempo livre, por exemplo. Todos temos algum prazer secreto ou alguma idiotice que só compartilhamos com nossos amigos, porque queremos manter nossa imagem "séria".
Imaginemos agora um mundo em que previsões apocalípticas de um futuro sem privacidade se concretizem. Seria tão ruim assim? Talvez as pessoas se preocupassem em fazer menos coisas "erradas", ou mesmo passassem a aceitar mais quem elas realmente são. Aprenderíamos a aceitar os defeitos dos outros, pois saberíamos que os nossos também estariam expostos. Seríamos menos hipócritas?
Seria o caso de panóptico, estudado por Foucault, uma espécie de controle social baseado na vigilância. Só que nesse caso, sem a relação hierárquica (pelo menos não da maneira tradicional), já que estaríamos todos no mesmo barco.
