6 Jul 2011

Estamos ficando dependentes demais?

No mundo de hoje está cada vez mais díficil ficar sozinho. Estamos com a companhia de nossos amigos e conhecidos, mesmo que virtualizada, o tempo todo, através de nossos celulares, redes sociais etc. Temos a certeza de poder contactá-los a qualquer momento, além de nos fazermos disponíveis, ao checar nossos perfis online e dormir com o celular do lado, afinal, a qualquer momento pode acontecer alguma coisa “importante”.

Além disso, hoje transitamos com facilidade entre diversos domínios, como o trabalho, o lazer, a família etc. É possível estar trabalhando e estar disponível a qualquer momento para assuntos familiares, por exemplo. Estamos cada vez mais conectados e isso é ótimo. No entanto, aquele momento de ficar sozinho para descansar, refletir e se dedicar às suas paixões, sem interferências externas, é muito importante, e pode ser que estejamos caminhando para um futuro em que isso seja impossível. Será que estamos ficando dependentes demais?

Vale a pena ver esse curta que fala sobre a dificuldade de ficar sozinho:

 


(Post ressucitado do Trend Zombies)

16 Sep 2010

Conexões, Relacionamentos e o Número de Dunbar

(Post originalmente do Trend Zombies, resolvi postar aqui também!)

O número de pessoas às quais estamos conectados não para de aumentar, mas isso quer dizer que estamos realmente desenvolvendo mais relações?


Bom, o antropólogo Robin Dunbar, estudando grupos de primatas, chegou a conclusão de que o tamanho natural destes grupos estava diretamente ligado ao tamanho do neocórtex das espécies, parte do cérebro que lida com pensamentos e raciocínio complexos. Ou seja, as espécies com o neocórtex maior conseguiam manter mais relacionamentos, formando grupos também maiores. A partir desta constatação, Dunbar estudou os humanos, constatando que o número médio, natural, de um grupo de pessoas era de aproximadamente 150 pessoas (147,5 para ser mais exato). O Número de Dunbar seria o número de indivíduos com os quais a maioria de nós consegue manter um relacionamento, por meio de contato pessoal, uma espécie de capacidade social.

 

Dunbar, analisando diferentes culturas, como tribos da Austrália, Papua Nova Guiné e Groelândia, sempre esbarrou neste número. Notou também que nas organizações militares, com o passar dos anos, chegou-se a uma regra empírica, que dizia que unidades de combate funcionais não podem ter mais do que 200 homens. "Com unidades desse tamanho, é possível implementar ordens e controlar comportamentos rebeldes com base na lealdade pessoal e em contatos diretos homem a homem. Nos grupos maiores, isso é inviável."

No livro, O Ponto da Virada, Malcolm Gladwell utiliza como exemplo um grupo religioso conhecido como huteristas, que vivem de agricultura e subsistência em colônias da Europa e em alguns lugares dos Estados Unidos. Os huteristas adotam a política de dividir a colônia assim que o número de integrantes se aproxima de 150, e seguem essa regra há séculos, com o objetivo de garantir que os integrantes conheçam bem uns aos outros e mantenham-se entrosados.

 

O_ponto_de_virada

 

Ok, mas e nós que vivemos em meio a redes sociais e aparatos tecnológicos que nos aproximam de cada vez mais pessoas?

Para Don Tapscott, autor do Best Seller Wikinomics, a Internet e a tecnologia de redes sociais destroem os supostos limites de Dunbar. O Autor defende seu ponto dizendo que os jovens da Geração Internet usam redes de comunicação muito grandes e complexas, removendo de seu caminho problemas de localização geográfica e fusos horários e contactando outras pessoas com muito mais rapidez e facilidade do que antigamente.

Ok, não podemos questionar isso. Mas vamos imaginar o seguinte: entre os "amigos" que possuímos em nossas redes sociais, com quanto realmente interagimos? Dentre esses que interagimos, com quantos realmente podemos dizer que temos uma "relação"?

Dunbar opina sobre essa questão, dizendo que os meios digitais nos ajudam a manter contato quando estamos separados e a manter nossas relações vivas, mas, eventualmente, temos que nos reunir com essas pessoas fisicamente para fazer coisas juntos.

 

Já que esse post trouxe mais perguntas do que respostas mesmo, lá vai: A Internet e as redes sociais desbancaram Dunbar ou podemos dizer que o número de relações significativas que temos continua o mesmo?

 

17 Aug 2010

A Geração Internet considera a privacidade importante?

Em um post anterior, falei sobre a preocupação das pessoas com a questão da privacidade na Internet e nas redes sociais e propus imaginar as possibilidades de um mundo sem nenhuma privacidade. Certamente é uma proposta utópica, mas já é possível notar a discrepância entre a visão de jovens, que não conheceram um mundo sem YouTube, e de gerações anteriores, que acompanharam o processo de implementação e popularização da Internet, tendo que se adaptar a ele.

Estou lendo o livro A Hora da Geração Digital, de Don Tapscott, e ele fala da preocupação de sua geração, os baby boomers, com a falta de pudor no compartilhamento de informações pessoais pelos jovens de hoje, integrantes da Geração Internet.

 

Capa-a-hora-de-geracao-digital

 

Segundo o autor, a Geração Internet não entende por que a privacidade é importante.

"A Geração Internet pode ter superado os baby boomers no uso da tecnologia, mas essa é uma área em que não superou as pessoas da minha idade. Na faixa dos quarenta anos de idade, sabemos que as atividades noturnas da nossa juventude podem não parecer muito positivas. Mas a maioria dos integrantes da Geração Internet, por ser jovem, não está pensando muito no futuro."

Talvez a Geração Internet não entenda mesmo a importância da privacidade. Mas talvez esta geração realmente não veja importância na privacidade. São novos valores para um mundo em que eles estão construindo para si mesmos, não para os baby boomers. E aqui cabe um trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço:

"Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente."

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 Eric Schmidt, CEO do Google, propôs uma solução para o problema dos jovens compartilharem informações pessoais das quais podem se arrepender depois. Ele disse acreditar que adolescentes deveriam ter o direito de mudar seus nomes ao atingir a idade adulta, para separarem-se dos registros online de bobagens compartilhadas em redes sociais. E ele estava falando sério. Fonte: Read Write Web.

Talvez em um futuro em que não tenhamos mais nomes, mas sim usernames, isso possa realmente funcionar...

22 Jun 2010

Redes sociais - quando mais é menos?

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Diariamente são criadas novas redes sociais com objetivos e temáticas específicas, criando uma cauda longa que vai das redes mais populares e genéricas como o Orkut ou o Facebook, até as redes mais específicas, como as criadas no Ning, por exemplo.

Apesar dos usuários pioneiros experimentarem diversas redes e as mais recentes novidades, o usuário médio é atraído pelas que os seus amigos estão utilizando, como forma de participação social e de manter contato com os amigos.

De acordo com dados do Ibope NetRatings, no Brasil, temos entre as redes de maior adesão, o Orkut com 26 milhões de usuários e o Twitter com 9,8 milhões. Porém no outro extremo, dentre as redes sociais "temáticas", temos milhares de exemplos, como a Bambuzeiros, uma rede social de pessoas interessadas em Bambu, que já conta com 1.924 usuários.

Essa diversidade é muito positiva, pois nos permite encontrar pessoas que compartilham os exatos mesmos interesses que nós. No entanto, é possível detectar um problema quando começam a existir muitas redes sociais e serviços com o mesmo objetivo. Se quero participar de uma rede social sobre filmes, qual vou escolher? MovieMobz? Filmow? Existem várias, o Mashable inclusive já fez um Top 10 sobre o tema.

Me deparei com esse problema quando fui criar esse blog. Onde hospedar? Cada serviço tem facilidades específicas, então depende do tipo de blog que você quer fazer. Mas que tipo de blog eu quero fazer? Para avaliar, é necessário fazer um estudo sobre as opções disponíveis e uma reflexão sobre o que realmente se deseja fazer, mas isso demanda tempo e um certo esforço. Tenho certeza que muitas pessoas desistiram da ideia de um blog já nessa primeira etapa. Eu até conheço algumas.

Neste caso, ter muitas opções é prejudicial e pode inibir um comportamento, ao contrário do senso comum de que mais opções estão ligadas a uma maior liberdade e assim a uma maior sensação de bem-estar.

É claro que nem todo mundo tem essa dificuldade de escolher, tem gente que escolhe a primeira opção que parece satisfatória. Pretendo inclusive falar sobre isso em futuro post, já que é um dos assuntos desenvolvidos na minha monografia, cujo tema é o Paradoxo da Escolha.

Mas por enquanto fica só a frase para reflexão: às vezes, algum grau de limitação pode ser positivo.

Choices

Marcos Malagris

Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM.
Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.
                                     

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