21 Sep 2010

Geolocalização para o bem?

Fala-se muito de como aplicativos de geolocalização, tipo Foursquare, estimulam o compartilhamento exagerado de informações e facilitam roubos e sequestros, como mostra o site de protesto e conscientização Please Rob Me. No entanto, com a popularização e a adesão a esses serviços aumentando, nada impede que surjam aplicativos que utilize o super-compartilhamento dos recursos de geolocalização com objetivos mais nobres.

É o que propõe o aplicativo Neer, que vi no Mashable. A ideia dele é usar o compartilhamento de localização com objetivos práticos, como ver quais de seus amigos está por perto para almoçar, saber se sua esposa já saiu do trabalho etc. Mas o mais importante é que o serviço sugere que seja utilizado apenas com um círculo social restrito, de familiares e amigos próximos, enfim, pessoas com as quais compartilhar sua localização não é uma coisa esquisita, mas sim natural.

 


O Neer utiliza a tecnologia de Geofencing, que consiste na delimitação de um perímetro virtual sobre uma área geográfica real. Através deste recurso, você poderia, por exemplo, definir as coordenadas do colégio de seu filho e receber uma mensagem quando ele atravessar esta fronteira. Também seria possível utilizar o serviço para notificar automaticamente os seus amigos quando você sai do trabalho, para facilitar o encontro no happy hour etc.

E aí, será que esse tipo de aplicativo realmente vem para o bem, ou está apenas deixando toda essa história de geolocalização ainda mais esquisita?

13 Sep 2010

Você cuida bem da sua identidade 2.0?

Comecei, no último sábado, o curso Intensivo em Marketing Digital da ESPM, ministrado pelo Luiz Felipe Barros. A primeira aula, sobre identidade 2.0, já me deu muita coisa para pensar. Em primeiro lugar, a pergunta feita:

"Podendo escolher, você preferiria perder os seus documentos físicos, ou sua identidade virtual (perfis em redes sociais etc.)?"

Para mim não há dúvidas. Prefiro perder os documentos físicos e tirar segunda via. Já os perfis online, com contatos de amigos e conhecidos (alguns nem tanto assim), são muito mais difíceis de se recuperar totalmente.

Devemos cuidar bem de nossa identidade 2.0 desde cedo, afinal, a sugestão do Eric Schmidt, CEO do Google, de mudar de nome ao se atingir a idade adulta, ainda não é viável. Portanto, nossos filhos devem ser muito bem educados quanto a essa questão.

Aliás, acredito que em breve os pais, ao registrarem o nome de seus filhos, irão fazer uma busca em sites como o KnowEm ou ud.com, com o objetivo de definir qual será o melhor username para garantir aos filhos nos principais serviços de e-mails e redes sociais.

Acha meio exagerado? Eu faria isso...

17 Aug 2010

A Geração Internet considera a privacidade importante?

Em um post anterior, falei sobre a preocupação das pessoas com a questão da privacidade na Internet e nas redes sociais e propus imaginar as possibilidades de um mundo sem nenhuma privacidade. Certamente é uma proposta utópica, mas já é possível notar a discrepância entre a visão de jovens, que não conheceram um mundo sem YouTube, e de gerações anteriores, que acompanharam o processo de implementação e popularização da Internet, tendo que se adaptar a ele.

Estou lendo o livro A Hora da Geração Digital, de Don Tapscott, e ele fala da preocupação de sua geração, os baby boomers, com a falta de pudor no compartilhamento de informações pessoais pelos jovens de hoje, integrantes da Geração Internet.

 

Capa-a-hora-de-geracao-digital

 

Segundo o autor, a Geração Internet não entende por que a privacidade é importante.

"A Geração Internet pode ter superado os baby boomers no uso da tecnologia, mas essa é uma área em que não superou as pessoas da minha idade. Na faixa dos quarenta anos de idade, sabemos que as atividades noturnas da nossa juventude podem não parecer muito positivas. Mas a maioria dos integrantes da Geração Internet, por ser jovem, não está pensando muito no futuro."

Talvez a Geração Internet não entenda mesmo a importância da privacidade. Mas talvez esta geração realmente não veja importância na privacidade. São novos valores para um mundo em que eles estão construindo para si mesmos, não para os baby boomers. E aqui cabe um trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço:

"Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente."

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 Eric Schmidt, CEO do Google, propôs uma solução para o problema dos jovens compartilharem informações pessoais das quais podem se arrepender depois. Ele disse acreditar que adolescentes deveriam ter o direito de mudar seus nomes ao atingir a idade adulta, para separarem-se dos registros online de bobagens compartilhadas em redes sociais. E ele estava falando sério. Fonte: Read Write Web.

Talvez em um futuro em que não tenhamos mais nomes, mas sim usernames, isso possa realmente funcionar...

23 Jul 2010

A privacidade é supervalorizada.

Um dos temas mais abordados hoje, ao se falar de internet e redes sociais, é a questão da privacidade. Existe o senso comum de que sofremos com esse problema ao participar de redes sociais e de como isso é prejudicial à nossa liberdade. O problema é que o "senso comum" sempre me assusta.

Não vou jogar dados e estatísticas, todo mundo já está saturado dessas informações, o que eu quero é propor um exercício de reflexão.

Por que as pessoas estão tão preocupadas com privacidade? Sim, eu sei, queremos nossa liberdade, queremos poder fazer o que der vontade sem que todos fiquem sabendo. Mas já paramos para pensar que o que queremos "esconder", geralmente, são coisas que sob alguma ótica consideramos "erradas"? Não queremos que nossos colegas de trabalho saibam as besteiras e idiotices que fazemos em nosso tempo livre, por exemplo. Todos temos algum prazer secreto ou alguma idiotice que só compartilhamos com nossos amigos, porque queremos manter nossa imagem "séria".

Imaginemos agora um mundo em que previsões apocalípticas de um futuro sem privacidade se concretizem. Seria tão ruim assim? Talvez as pessoas se preocupassem em fazer menos coisas "erradas", ou mesmo passassem a aceitar mais quem elas realmente são. Aprenderíamos a aceitar os defeitos dos outros, pois saberíamos que os nossos também estariam expostos. Seríamos menos hipócritas?

Seria o caso de panóptico, estudado por Foucault, uma espécie de controle social baseado na vigilância. Só que nesse caso, sem a relação hierárquica (pelo menos não da maneira tradicional), já que estaríamos todos no mesmo barco.

Marcos Malagris

Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM.
Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.
                                     

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