17 Aug 2010

A Geração Internet considera a privacidade importante?

Em um post anterior, falei sobre a preocupação das pessoas com a questão da privacidade na Internet e nas redes sociais e propus imaginar as possibilidades de um mundo sem nenhuma privacidade. Certamente é uma proposta utópica, mas já é possível notar a discrepância entre a visão de jovens, que não conheceram um mundo sem YouTube, e de gerações anteriores, que acompanharam o processo de implementação e popularização da Internet, tendo que se adaptar a ele.

Estou lendo o livro A Hora da Geração Digital, de Don Tapscott, e ele fala da preocupação de sua geração, os baby boomers, com a falta de pudor no compartilhamento de informações pessoais pelos jovens de hoje, integrantes da Geração Internet.

 

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Segundo o autor, a Geração Internet não entende por que a privacidade é importante.

"A Geração Internet pode ter superado os baby boomers no uso da tecnologia, mas essa é uma área em que não superou as pessoas da minha idade. Na faixa dos quarenta anos de idade, sabemos que as atividades noturnas da nossa juventude podem não parecer muito positivas. Mas a maioria dos integrantes da Geração Internet, por ser jovem, não está pensando muito no futuro."

Talvez a Geração Internet não entenda mesmo a importância da privacidade. Mas talvez esta geração realmente não veja importância na privacidade. São novos valores para um mundo em que eles estão construindo para si mesmos, não para os baby boomers. E aqui cabe um trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço:

"Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente."

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 Eric Schmidt, CEO do Google, propôs uma solução para o problema dos jovens compartilharem informações pessoais das quais podem se arrepender depois. Ele disse acreditar que adolescentes deveriam ter o direito de mudar seus nomes ao atingir a idade adulta, para separarem-se dos registros online de bobagens compartilhadas em redes sociais. E ele estava falando sério. Fonte: Read Write Web.

Talvez em um futuro em que não tenhamos mais nomes, mas sim usernames, isso possa realmente funcionar...

23 Jul 2010

A privacidade é supervalorizada.

Um dos temas mais abordados hoje, ao se falar de internet e redes sociais, é a questão da privacidade. Existe o senso comum de que sofremos com esse problema ao participar de redes sociais e de como isso é prejudicial à nossa liberdade. O problema é que o "senso comum" sempre me assusta.

Não vou jogar dados e estatísticas, todo mundo já está saturado dessas informações, o que eu quero é propor um exercício de reflexão.

Por que as pessoas estão tão preocupadas com privacidade? Sim, eu sei, queremos nossa liberdade, queremos poder fazer o que der vontade sem que todos fiquem sabendo. Mas já paramos para pensar que o que queremos "esconder", geralmente, são coisas que sob alguma ótica consideramos "erradas"? Não queremos que nossos colegas de trabalho saibam as besteiras e idiotices que fazemos em nosso tempo livre, por exemplo. Todos temos algum prazer secreto ou alguma idiotice que só compartilhamos com nossos amigos, porque queremos manter nossa imagem "séria".

Imaginemos agora um mundo em que previsões apocalípticas de um futuro sem privacidade se concretizem. Seria tão ruim assim? Talvez as pessoas se preocupassem em fazer menos coisas "erradas", ou mesmo passassem a aceitar mais quem elas realmente são. Aprenderíamos a aceitar os defeitos dos outros, pois saberíamos que os nossos também estariam expostos. Seríamos menos hipócritas?

Seria o caso de panóptico, estudado por Foucault, uma espécie de controle social baseado na vigilância. Só que nesse caso, sem a relação hierárquica (pelo menos não da maneira tradicional), já que estaríamos todos no mesmo barco.

Marcos Malagris

Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM.
Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.
                                     

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