É o que defende Jim Gilliam, empreendedor, ativista e fundador da 3dna, uma startup que cria ferramentas para incentivar e facilitar o ativismo político através da internet. Gilliam enfrentou graves problemas de saúde, como a luta para vencer o câncer e um arriscado transplante de pulmões, e defende ter encontrado na internet o conceito de deus.
God is what happens when humanity is connected. Humanity connected is God. Each one of us is a creator but, together, we are THE creator.”
Eu realmente concordo com essa visão de deus pautada na total integração da humanidade e nas potencialidades da inteligência coletiva. Tem um pouco mais sobre o tema neste post aqui.
Aaaaahhh, agora sim! O motivo pelo qual eu escolhi essa profissão. O motivo pelo qual eu ainda tenho fé na humanidade. Crie um espaço colaborativo e as pessoas irão se unir com o objetivo de melhorar suas vidas e, de uma forma geral, o mundo em que vivem. Quer um exemplo?
Fiquei muito impressionado com essa apresentação da Chief Digital Officer da cidade de Nova York que vi no UpdateorDie!, com o conceito de cidade como plataforma e com diversas soluções para integrar os cidadãos com a resolução dos problemas comuns. Meu sonho é um dia participar de algo assim.
Me lembrei também do PortoAlegre.cc, um site que vi há algum tempo com o conceito de Wikicidade, onde a proposta é a colaboração cidadã, debatendo e buscando soluções para os problemas da cidade, ou simplesmente adicionando camadas de informação sobre os locais do mapa. Muito legal.
Acabei de ver o documentário de Roger Nygard: A Natureza da Existência. Nele, o diretor se propõe a viajar o mundo e se reunir com autoridades influentes no campo da religião, física, psicologia etc., em busca da resposta à pergunta fundamental, do mistério da vida, o universo e tudo mais: Por que existimos?
Dentre muitos depoimentos interessantes sobre a existência ou não de deus, o do astrofísico Stanford Woosley realmente me impactou:
Tudo começou neste universo há cerca de 14,7 bilhões de anos quando houve o Big Bang. Talvez um de muitos. E nesse Big Bang, foram criados apenas dois elementos: hidrogênio e hélio. E não dá para fazer muito para criar vida ou até planetas apenas com esses dois elementos.
O hélio é inerte e o hidrogênio não tem nada com que possa reagir. Além deles, nós nos concentramos nas estrelas. As primeiras estrelas produziram os primeiros elementos pesados e, com o tempo, algumas estrelas evoluíram, outras morreram, as supernovas. E elas produziram os cerca de 80 elementos da natureza que conhecemos.
Somos poeira estelar. O Universo evolui. As estrelas e as pessoas evoluem. Tudo que está vivo evolui. Podemos ser o caminho rumo a uma inteligência suprema, a alguma vida suprema no Universo que seria quase indissociável do que chamamos de Deus.
Bom, tudo que está vivo evolui, ok. Obviamente, estamos hoje no estágio mais evoluído de nossa espécie. Estamos cada vez mais conectados, mais conscientes do que acontece no resto do mundo. A humanidade está cada vez mais integrada em termos de causas e consequências, conseguimos afetar mais pessoas com a exteriorização de nossas ideias. O conceito de Inteligência Coletiva faz cada vez mais sentido e estamos caminhando para um mundo de total integração. Algum dia estaremos totalmente conectados, não só às pessoas, mas também aos objetos de nosso mundo, como começa a acontecer com a Internet das Coisas.
Esse estágio máximo de integração pode ser o que Woosley prevê como a inteligência suprema, a vida suprema. Ou seja, um só organismo que, por ser completo e pleno em si mesmo, não admite uma existência superior, se tornando indissociável do que chamamos de Deus.
Em 1996, John Perry Barlow escreveu a Declaração de Independência do Ciberespaço, um manifesto sobre a emancipação de uma sociedade da mente, impossível de ser controlada pelos métodos tradicionais governativos.Vou postar integralmente porque realmente vale a pena. Negritei minhas partes preferidas.
Declaração de Independência do Ciberespaço
"Governos do Mundo Industrial, vocês gigantes aborrecidos de carne e aço, eu venho do espaço cibernético, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado que nos deixem em paz. Vocês não são benvindos entre nós. Vocês não têm a independência que nos une.
Os governos derivam seu justo poder a partir do consenso dos governados. Vocês não solicitaram ou receberam os nossos. Não convidamos vocês. Vocês não vêm do espaço cibernético, o novo lar da Mente.
Não temos governos eleitos, nem mesmo é provável que tenhamos um, então eu me dirijo a vocês sem autoridade maior do que aquela com a qual a liberdade por si só sempre se manifesta.
Eu declaro o espaço social global aquele que estamos construindo para ser naturalmente independente das tiranias que vocês tentam nos impor. Vocês não têm direito moral de nos impor regras, nem ao menos de possuir métodos de coação a que tenhamos real razão para temer.
Vocês não nos conhecem, muito menos conhecem nosso mundo. O espaço cibernético não se limita a suas fronteiras. Não pensem que vocês podem construí-lo, como se fosse um projeto de construção pública. Vocês não podem. Isso é um ato da natureza e cresce por si próprio por meio de nossas ações coletivas.
Vocês não se engajaram em nossa grande e aglomerada conversa, e também não criaram a riqueza de nossa reunião de mercados. Vocês não conhecem nossa cultura, nossos códigos éticos ou falados que já proveram nossa sociedade com mais ordem do que se fosse obtido por meio de qualquer das suas imposições.
Vocês alegam que existem problemas entre nós que somente vocês podem solucionar. Vocês usam essa alegação como uma desculpa para invadir nossos distritos. Muitos desses problemas não existem. Onde existirem conflitos reais, onde existirem erros, iremos identificá-los e resolvê-los por nossos próprios meios.
Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente.
O espaço cibernético consiste em idéias, transações e relacionamentos próprios, tabelados como uma onda parada na rede das nossas comunicações.
Nosso é um mundo que está ao mesmo tempo em todos os lugares e em nenhum lugar, mas não é onde pessoas vivem.
Estamos criando um mundo que todos poderão entrar sem privilégios ou preconceitos de acordo com a raça, poder econômico, força militar ou lugar de nascimento.
Estamos criando um mundo onde qualquer um em qualquer lugar poderá expressar suas opiniões, não importando quão singular, sem temer que seja coagido ao silêncio ou conformidade.
Seus conceitos legais sobre propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Eles são baseados na matéria. Não há nenhuma matéria aqui.
Nossas identidades não possuem corpos, então, diferente de vocês, não podemos obter ordem por meio da coerção física. Acreditamos que a partir da ética, compreensivelmente interesse próprio de nossa comunidade, nossa maneira de governar surgirá. Nossas identidades poderão ser distribuídas através de muitas de suas jurisdições.
A única lei que todas as nossas culturas constituídas iriam reconhecer é o Código Dourado. Esperamos que sejamos capazes de construir nossas próprias soluções sobre este fundamento. Mas não podemos aceitar soluções que vocês estão tentando nos impor.
Nos Estados Unidos vocês estão criando uma lei, o Ato de Reforma das Telecomunicações, que repudia sua própria Constituição e insulta os sonhos de Jefferson, Washington, Mill, Madison, deTocqueville and Brandeis. Esses sonhos precisam nascer agora de novo dentro de nós.
Vocês estão apavorados com suas próprias crianças, já que elas nasceram num mundo onde vocês serão sempre imigrantes. Porque têm medo delas, vocês incumbem suas burocracias com responsabilidades paternais, já que são covardes demais para se confrontarem consigo mesmos.
Em nosso mundo, todos os sentimentos e expressões de humanidade, desde os mais humilhantes até os mais angelicais, são parte de um todo descosturado; a conversa global de bits. Não podemos separar o ar que sufoca daquele no qual as asas batem.
Na China, Alemanha, França, Rússia, Singapura, Itália e Estados Unidos, vocês estão tentando repelir o vírus da liberdade, erguendo postos de guarda nas fronteiras do espaço cibernético. Isso pode manter afastado o contágio por um curto espaço de tempo, mas não irá funcionar num mundo que brevemente será coberto pela mídia baseada em bits.
Sua indústria da informação cada vez mais obsoleta poderia perpetuar por meio de proposições de leis na América e em qualquer outro lugar que clamam por nosso próprio discurso pelo mundo. Essas leis iriam declarar idéias para serem um outro tipo de produto industrial, não mais nobre do que um porco de ferro. Em nosso mundo, qualquer coisa que a mente humana crie, pode ser reproduzida e distribuída infinitamente sem nenhum custo. O meio de transporte global do pensamento não mais exige suas fábricas para se consumar.
Essas medidas cada vez mais coloniais e hostis os colocam na mesma posição daqueles antigos amantes da liberdade e auto-determinação que tiveram de rejeitar a autoridade dos poderes distantes e desinformados.
Precisamos nos declarar virtualmente imunes de sua soberania, mesmo se continuarmos a consentir suas regras sobre nós. Nos espalharemos pelo mundo para que ninguém consiga aprisionar nossos pensamentos.
Criaremos a civilização da Mente no espaço cibernético. Ela poderá ser mais humana e justa do que o mundo que vocês governantes fizeram antes."
Hoje, 14 anos depois, apesar da liberdade de opinião e do do it yourself típico da rede, o controle e as restrições ainda existem. Vemos também que o mundo da mente não é tão separado do mundo físico e que o código dourado da ética não é tão fácil de ser universalizado.
Barlow foi otimista e com isso estimulou outras pessoas a também serem. Ele fez as pessoas acreditarem na importância do seu papel na construção do futuro desse novo meio.
Eu continuo otimista. Vi no Updateordie um vídeo do Vicktor Frankl, um psiquiatra austríaco que viveu 5 anos em um campo de concentração, falando de como é importante tratarmos o ser humano com otimismo. Eu acho que é perfeito para terminar o post:
"If we take man as he is we make him worse. But if we take man as he could be, we make him better."
Eu já gostei muito de assistir futebol, mas realmente cansei. Adoro jogar, e gosto de ver os jogos do Brasil, aliás, só não falo que meu time é Brasil porque isso é coisa de tia.
Lendo "O que é o virtual?", do Pierre Levy, me deparei com esse trecho, que deixou as coisas ainda mais claras para mim:
“Michael Serres ensinou-nos a ler nos estádios, certo teoremas de antropologia fundamental. Ouça-mos, para começar, o som das bancadas. Os apoiantes da mesma equipe gritam, quase todos ao mesmo tempo, as mesmas coisas. Os atos dos indivíduos distinguem-se mal, não se entrelaçam para fazer história ou ficar na memória, não vão por nenhuma bifurcação irreversível. O indivíduo é diluído no conjunto dos apoiantes, no barulho da multidão. Ora a inteligência desta massa (capacidade de aprendizagem, de imaginação, de raciocínio) é notoriamente mais fraca, quer se manifeste no estádio, quer à saída.
Vejamos agora o que se passa no campo. Cada jogador efetua ações nitidamente distintas das dos outros. Todavia, todas as ações visam a coordenação, tentam se responder, querem fazer sentido umas em relação às outras. Os atos dos jogadores, contrariamente aos dos torcedores, intervêm numa histórica coletiva, orientam, cada um diferentemente, o curso de uma partida ainda não decidida. As equipes empregam estratégias, improvisam, arriscam. Cada um dos jogadores deve estar atento não apenas ao que fazem seus adversários mais igualmente ao que se trama em seu próprio campo, para que os movimentos efetuados por seus companheiros não tenham sido tentados em vão. O jogo se "constrói"."
Apóio o futebol e não sou contra os torcedores, eu acredito que todo mundo precisa de uma válvula de escape, só acho que às vezes as pessoas exageram.
Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM. Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.