As redes sociais conseguem realmente ampliar nosso círculo de relacionamentos?
Como mostrei no post Conexões, Relacionamentos e o Número de Dunbar, o tamanho do neocórtex humano, como sugere a teoria de Robin Dunbar, limitaria o tamanho de nosso círculo social. Segundo o antropólogo, o número médio de componentes de grupos sociais, nos quais os mesmos conseguem se relacionar de maneira pessoal, é de 150, nomeado o Número de Dunbar.
No entanto, Don Tapscott defende que a Internet e as redes sociais acabam com os supostos limites de Dunbar. O Autor defende seu ponto dizendo que os jovens da Geração Internet usam redes de comunicação complexas que removem problemas de localização geográfica e fusos horários, contactando outras pessoas com muito mais rapidez e facilidade do que antigamente.
Sem dúvidas quanto esta última frase, no entanto, será que a Internet e as redes sociais desbancaram mesmo Dunbar? Ou podemos dizer que o número de relações significativas que temos continua o mesmo?
O site IDG Now! divulgou um interessante estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Indiana que busca analisar como se dá essa relação no Twitter e se é possível chegar a um número médio de relações por usuário na plataforma. O estudo coletou dados de 1,7 milhões de indivíduos através de 6 meses de uso da ferramenta. Os resultados da pesquisa mostraram que, da mesma forma que no mundo offline, as interações na rede também são limitadas por nossas capacidades cognitivas e biológicas.
O número médio de relações estáveis entre os usuários do Twitter ficou entre 100 e 200, o que validaria a teoria de Dunbar. Seria possível concluir, portanto, que apesar do potencial da internet e das redes sociais para ampliar nossos contatos, nossa capacidade de atenção e tempo ainda são limitados e não conseguimos absorver um número tão grande de informações.
Afinal, como disse Herbert Simon:
Em um mundo rico em informações, a riqueza da informação implica a carência de outra coisa: escassez daquilo que a informação consome. O que a informação consome é bastante óbvio: ela consome a atenção de seus destinatários. Dessa forma, a abundância de informação gera carência de tempo.
