A internet nos levará até lá.
Tenho que postar aqui essa "tirinha" que eu vi no The Curious Brain, pois ela traduz todo o otimismo pelo futuro que eu tenho e que me fez escolher a profissão que tenho hoje.
Internet, tecnologia, cibercultura, games e questões do mundo pós-moderno.
Tenho que postar aqui essa "tirinha" que eu vi no The Curious Brain, pois ela traduz todo o otimismo pelo futuro que eu tenho e que me fez escolher a profissão que tenho hoje.
No mundo de hoje está cada vez mais díficil ficar sozinho. Estamos com a companhia de nossos amigos e conhecidos, mesmo que virtualizada, o tempo todo, através de nossos celulares, redes sociais etc. Temos a certeza de poder contactá-los a qualquer momento, além de nos fazermos disponíveis, ao checar nossos perfis online e dormir com o celular do lado, afinal, a qualquer momento pode acontecer alguma coisa “importante”.
Além disso, hoje transitamos com facilidade entre diversos domínios, como o trabalho, o lazer, a família etc. É possível estar trabalhando e estar disponível a qualquer momento para assuntos familiares, por exemplo. Estamos cada vez mais conectados e isso é ótimo. No entanto, aquele momento de ficar sozinho para descansar, refletir e se dedicar às suas paixões, sem interferências externas, é muito importante, e pode ser que estejamos caminhando para um futuro em que isso seja impossível. Será que estamos ficando dependentes demais?
Vale a pena ver esse curta que fala sobre a dificuldade de ficar sozinho:
(Post ressucitado do Trend Zombies)
Se você não tem uma visão de futuro, está condenado a viver eternamente a repetição de seu passado. - A.R. Bernard
Se você prevê uma nova tecnologia, você se prepara e tenta preparar todo o ambiente para ela, criando aos poucos um espaço ótimo para o seu surgimento. Uma vez criadas estas condições ótimas, o presente se torna favorável e é totalmente razoável que a nova tecnologia imaginada apareça.
As interfaces de navegação dos computadores no filme Minority Report eram uma previsão do futuro, e mais do que isso, ficou tão foda interessante que agora precisamos criar interfaces assim. E hoje podemos ver no vídeo de apresentação do Windows 8 o mesmo estilo de navegação.
Na economia, o fenômeno pode ser explicado pela expectativa racional, onde a partir de informações disponíveis sobre o futuro, um agente econômico pode fazer antecipações racionais, reagindo no presente de acordo com elas e aos poucos moldando o cenário de acordo com suas crenças. Já na psicologia, o mesmo processo se traduz através do conceito de profecias auto-realizáveis, termo cunhado por Robert Menton, que afirma que ao estabelecer um prognóstico e tomá-lo como crença, provocamos sua concretização.
Ou seja, se penso: "hoje não irei conseguir produzir nada porque estou muito cansado", isso irá reduzir drasticamente as chances de realmente conseguir executar tarefas produtivas, já que basicamente estou arrumando uma desculpa antes mesmo de tentar.
Outro exemplo, utilizado por Merton, é o da crise de bancos. Se espalham-se boatos de que um banco está prestes a quebrar, todos que possuem contas neste banco irão retirar seu dinheiro, fazendo com que o banco de fato quebre. Nas palavras do autor:
A profecia auto-realizável é, no início, uma definição falsa da situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira.
Daí vem a importância de sermos otimistas quanto ao futuro e o imaginarmos da maneira como queremos que ele seja. Afinal, só desta forma de poderemos criar as condições necessárias para que ele de fato ocorra.
Um dos temas mais abordados hoje, ao se falar de internet e redes sociais, é a questão da privacidade. Existe o senso comum de que sofremos com esse problema ao participar de redes sociais e de como isso é prejudicial à nossa liberdade. O problema é que o "senso comum" sempre me assusta.
Não vou jogar dados e estatísticas, todo mundo já está saturado dessas informações, o que eu quero é propor um exercício de reflexão.
Por que as pessoas estão tão preocupadas com privacidade? Sim, eu sei, queremos nossa liberdade, queremos poder fazer o que der vontade sem que todos fiquem sabendo. Mas já paramos para pensar que o que queremos "esconder", geralmente, são coisas que sob alguma ótica consideramos "erradas"? Não queremos que nossos colegas de trabalho saibam as besteiras e idiotices que fazemos em nosso tempo livre, por exemplo. Todos temos algum prazer secreto ou alguma idiotice que só compartilhamos com nossos amigos, porque queremos manter nossa imagem "séria".
Imaginemos agora um mundo em que previsões apocalípticas de um futuro sem privacidade se concretizem. Seria tão ruim assim? Talvez as pessoas se preocupassem em fazer menos coisas "erradas", ou mesmo passassem a aceitar mais quem elas realmente são. Aprenderíamos a aceitar os defeitos dos outros, pois saberíamos que os nossos também estariam expostos. Seríamos menos hipócritas?
Seria o caso de panóptico, estudado por Foucault, uma espécie de controle social baseado na vigilância. Só que nesse caso, sem a relação hierárquica (pelo menos não da maneira tradicional), já que estaríamos todos no mesmo barco.
No meu post "Social gaming, jogadores casuais e como os jogos podem mudar o mundo", falei sobre a ampliação da presença dos jogos no cotidiano e a expansão dos jogos sociais e dos jogadores casuais. No final, postei também a palestra de Jane McGonigal, sobre como podemos incorporar características positivas e motivacionais dos jogos na vida real. Segundo ela, para aprendermos a resolver os problemas do mundo real, precisamos gastar mais tempo explorando os mundos virtuais. Enfim, vale a pena perder ganhar 20 minutos vendo o vídeo.
Continuando nessa linha, a influência da cultura dos jogos no nosso dia a dia pode ser notada em algumas redes sociais. O Foursquare, uma rede social de geolocalização, é um exemplo desse fenômeno, já que distribui pontos e "badges" de acordo com o que você faz. Se você visita muitas vezes um lugar, ainda pode virar o "prefeito" de lá, o que gera uma disputa entre os participantes.
Quem tem acompanhado a evolução dos jogos vê claramente que esta é uma característica que está muito presente nos games atuais: os achievements. Achievements são pequenas conquistas que não necessariamente precisam estar no caminho do objetivo principal do jogo, como por exemplo, matar 100 inimigos, descobrir uma passagem secreta, jogar o jogo por uma hora etc.
O post do GeekDad na Wired "Why Aren’t Games About Winning Anymore?" discute como os jogos não são mais sobre vencer ou se chegar ao final, mas sim desbravar os achievements presentes no jogo. O autor trata isso com pessimismo, falando que os jogos se tornaram mais complicados e que os desenvolvedores adicionam esses novos objetivos para fazer com que as pessoas gastem mais tempo jogando.
Na palestra abaixo, Jesse Schell fala sobre como ele acredita que os achievements já estão sendo incorporados no nosso dia a dia, e, apesar de mostrar também o lado positivo, deixou muita gente assustada com a possibilidade de viver em mundo em que se mantém um registro de todas nossa ações.
Apesar da apresentação dele assustar um pouco, eu concordo que o log das nossas ações pode nos ajudar a ser melhores pessoas e querer deixar um legado melhor para nossos descendentes. Acho interessante pensar que daqui a algum tempo todos terão o registro das músicas que ouviram e dos filmes que assistiram (o que já acontece através do Last.fm e Filmow, por exemplo) e que no futuro nossos netos, bisnetos etc. poderão ver nossas preferências de consumo cultural, e até quais eram nossos lugares favoritos, através do Foursquare, ou seu equivalente no futuro.
Em 1996, John Perry Barlow escreveu a Declaração de Independência do Ciberespaço, um manifesto sobre a emancipação de uma sociedade da mente, impossível de ser controlada pelos métodos tradicionais governativos.Vou postar integralmente porque realmente vale a pena. Negritei minhas partes preferidas.
Declaração de Independência do Ciberespaço
"Governos do Mundo Industrial, vocês gigantes aborrecidos de carne e aço, eu venho do espaço cibernético, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado que nos deixem em paz. Vocês não são benvindos entre nós. Vocês não têm a independência que nos une. Os governos derivam seu justo poder a partir do consenso dos governados. Vocês não solicitaram ou receberam os nossos. Não convidamos vocês. Vocês não vêm do espaço cibernético, o novo lar da Mente. Não temos governos eleitos, nem mesmo é provável que tenhamos um, então eu me dirijo a vocês sem autoridade maior do que aquela com a qual a liberdade por si só sempre se manifesta. Eu declaro o espaço social global aquele que estamos construindo para ser naturalmente independente das tiranias que vocês tentam nos impor. Vocês não têm direito moral de nos impor regras, nem ao menos de possuir métodos de coação a que tenhamos real razão para temer. Vocês não nos conhecem, muito menos conhecem nosso mundo. O espaço cibernético não se limita a suas fronteiras. Não pensem que vocês podem construí-lo, como se fosse um projeto de construção pública. Vocês não podem. Isso é um ato da natureza e cresce por si próprio por meio de nossas ações coletivas. Vocês não se engajaram em nossa grande e aglomerada conversa, e também não criaram a riqueza de nossa reunião de mercados. Vocês não conhecem nossa cultura, nossos códigos éticos ou falados que já proveram nossa sociedade com mais ordem do que se fosse obtido por meio de qualquer das suas imposições. Vocês alegam que existem problemas entre nós que somente vocês podem solucionar. Vocês usam essa alegação como uma desculpa para invadir nossos distritos. Muitos desses problemas não existem. Onde existirem conflitos reais, onde existirem erros, iremos identificá-los e resolvê-los por nossos próprios meios. Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente. O espaço cibernético consiste em idéias, transações e relacionamentos próprios, tabelados como uma onda parada na rede das nossas comunicações. Nosso é um mundo que está ao mesmo tempo em todos os lugares e em nenhum lugar, mas não é onde pessoas vivem. Estamos criando um mundo que todos poderão entrar sem privilégios ou preconceitos de acordo com a raça, poder econômico, força militar ou lugar de nascimento. Estamos criando um mundo onde qualquer um em qualquer lugar poderá expressar suas opiniões, não importando quão singular, sem temer que seja coagido ao silêncio ou conformidade. Seus conceitos legais sobre propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Eles são baseados na matéria. Não há nenhuma matéria aqui. Nossas identidades não possuem corpos, então, diferente de vocês, não podemos obter ordem por meio da coerção física. Acreditamos que a partir da ética, compreensivelmente interesse próprio de nossa comunidade, nossa maneira de governar surgirá. Nossas identidades poderão ser distribuídas através de muitas de suas jurisdições. A única lei que todas as nossas culturas constituídas iriam reconhecer é o Código Dourado. Esperamos que sejamos capazes de construir nossas próprias soluções sobre este fundamento. Mas não podemos aceitar soluções que vocês estão tentando nos impor. Nos Estados Unidos vocês estão criando uma lei, o Ato de Reforma das Telecomunicações, que repudia sua própria Constituição e insulta os sonhos de Jefferson, Washington, Mill, Madison, deTocqueville and Brandeis. Esses sonhos precisam nascer agora de novo dentro de nós. Vocês estão apavorados com suas próprias crianças, já que elas nasceram num mundo onde vocês serão sempre imigrantes. Porque têm medo delas, vocês incumbem suas burocracias com responsabilidades paternais, já que são covardes demais para se confrontarem consigo mesmos. Em nosso mundo, todos os sentimentos e expressões de humanidade, desde os mais humilhantes até os mais angelicais, são parte de um todo descosturado; a conversa global de bits. Não podemos separar o ar que sufoca daquele no qual as asas batem. Na China, Alemanha, França, Rússia, Singapura, Itália e Estados Unidos, vocês estão tentando repelir o vírus da liberdade, erguendo postos de guarda nas fronteiras do espaço cibernético. Isso pode manter afastado o contágio por um curto espaço de tempo, mas não irá funcionar num mundo que brevemente será coberto pela mídia baseada em bits. Sua indústria da informação cada vez mais obsoleta poderia perpetuar por meio de proposições de leis na América e em qualquer outro lugar que clamam por nosso próprio discurso pelo mundo. Essas leis iriam declarar idéias para serem um outro tipo de produto industrial, não mais nobre do que um porco de ferro. Em nosso mundo, qualquer coisa que a mente humana crie, pode ser reproduzida e distribuída infinitamente sem nenhum custo. O meio de transporte global do pensamento não mais exige suas fábricas para se consumar. Essas medidas cada vez mais coloniais e hostis os colocam na mesma posição daqueles antigos amantes da liberdade e auto-determinação que tiveram de rejeitar a autoridade dos poderes distantes e desinformados. Precisamos nos declarar virtualmente imunes de sua soberania, mesmo se continuarmos a consentir suas regras sobre nós. Nos espalharemos pelo mundo para que ninguém consiga aprisionar nossos pensamentos. Criaremos a civilização da Mente no espaço cibernético. Ela poderá ser mais humana e justa do que o mundo que vocês governantes fizeram antes." Hoje, 14 anos depois, apesar da liberdade de opinião e do do it yourself típico da rede, o controle e as restrições ainda existem. Vemos também que o mundo da mente não é tão separado do mundo físico e que o código dourado da ética não é tão fácil de ser universalizado. Barlow foi otimista e com isso estimulou outras pessoas a também serem. Ele fez as pessoas acreditarem na importância do seu papel na construção do futuro desse novo meio. Eu continuo otimista. Vi no Updateordie um vídeo do Vicktor Frankl, um psiquiatra austríaco que viveu 5 anos em um campo de concentração, falando de como é importante tratarmos o ser humano com otimismo. Eu acho que é perfeito para terminar o post: "If we take man as he is we make him worse. But if we take man as he could be, we make him better."
O futureme.org é um site que permite a uma pessoa escrever um email para si mesma e programar quando quer recebê-lo. Sim você pode mandar um email para você mesmo se lembrando de dar comida pros gatos, mas o quão legal é escrever uma carta motivacional para ler no futuro, hein?