27 May 2010

Futebol e a Inteligência Coletiva

Eu já gostei muito de assistir futebol, mas realmente cansei. Adoro jogar, e gosto de ver os jogos do Brasil, aliás, só não falo que meu time é Brasil porque isso é coisa de tia.

Lendo "O que é o virtual?", do Pierre Levy, me deparei com esse trecho, que deixou as coisas ainda mais claras para mim:

“Michael Serres ensinou-nos a ler nos estádios, certo teoremas de antropologia fundamental. Ouça-mos, para começar, o som das bancadas. Os apoiantes da mesma equipe gritam, quase todos ao mesmo tempo, as mesmas coisas. Os atos dos indivíduos distinguem-se mal, não se entrelaçam para fazer história ou ficar na memória, não vão por nenhuma bifurcação irreversível. O indivíduo é diluído no conjunto dos apoiantes, no barulho da multidão. Ora a inteligência desta massa (capacidade de aprendizagem, de imaginação, de raciocínio) é notoriamente mais fraca, quer se manifeste no estádio, quer à saída.

Vejamos agora o que se passa no campo. Cada jogador efetua ações nitidamente distintas das dos outros. Todavia, todas as ações visam a coordenação, tentam se responder, querem fazer sentido umas em relação às outras. Os atos dos jogadores, contrariamente aos dos torcedores, intervêm numa histórica coletiva, orientam, cada um diferentemente, o curso de uma partida ainda não decidida. As equipes empregam estratégias, improvisam, arriscam. Cada um dos jogadores deve estar atento não apenas ao que fazem seus adversários mais igualmente ao que se trama em seu próprio campo, para que os movimentos efetuados por seus companheiros não tenham sido tentados em vão. O jogo se "constrói"."

Apóio o futebol e não sou contra os torcedores, eu acredito que todo mundo precisa de uma válvula de escape, só acho que às vezes as pessoas exageram.