31 May 2011

As redes sociais conseguem realmente ampliar nosso círculo de relacionamentos?

Como mostrei no post Conexões, Relacionamentos e o Número de Dunbar, o tamanho do neocórtex humano, como sugere a teoria de Robin Dunbar, limitaria o tamanho de nosso círculo social. Segundo o antropólogo, o número médio de componentes de grupos sociais, nos quais os mesmos conseguem se relacionar de maneira pessoal, é de 150, nomeado o Número de Dunbar.

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No entanto, Don Tapscott defende que a Internet e as redes sociais acabam com os supostos limites de Dunbar. O Autor defende seu ponto dizendo que os jovens da Geração Internet usam redes de comunicação complexas que removem problemas de localização geográfica e fusos horários, contactando outras pessoas com muito mais rapidez e facilidade do que antigamente.

Sem dúvidas quanto esta última frase, no entanto, será que a Internet e as redes sociais desbancaram mesmo Dunbar? Ou podemos dizer que o número de relações significativas que temos continua o mesmo?

O site IDG Now! divulgou um interessante estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Indiana que busca analisar como se dá essa relação no Twitter e se é possível chegar a um número médio de relações por usuário na plataforma. O estudo coletou dados de 1,7 milhões de indivíduos através de 6 meses de uso da ferramenta. Os resultados da pesquisa mostraram que, da mesma forma que no mundo offline, as interações na rede também são limitadas por nossas capacidades cognitivas e biológicas. 

O número médio de relações estáveis entre os usuários do Twitter ficou entre 100 e 200, o que validaria a teoria de Dunbar. Seria possível concluir, portanto, que apesar do potencial da internet e das redes sociais para ampliar nossos contatos, nossa capacidade de atenção e tempo ainda são limitados e não conseguimos absorver um número tão grande de informações.

Afinal, como disse Herbert Simon:

Em um mundo rico em informações, a riqueza da informação implica a carência de outra coisa: escassez daquilo que a informação consome. O que a informação consome é bastante óbvio: ela consome a atenção de seus destinatários. Dessa forma, a abundância de informação gera carência de tempo.

17 Aug 2010

A Geração Internet considera a privacidade importante?

Em um post anterior, falei sobre a preocupação das pessoas com a questão da privacidade na Internet e nas redes sociais e propus imaginar as possibilidades de um mundo sem nenhuma privacidade. Certamente é uma proposta utópica, mas já é possível notar a discrepância entre a visão de jovens, que não conheceram um mundo sem YouTube, e de gerações anteriores, que acompanharam o processo de implementação e popularização da Internet, tendo que se adaptar a ele.

Estou lendo o livro A Hora da Geração Digital, de Don Tapscott, e ele fala da preocupação de sua geração, os baby boomers, com a falta de pudor no compartilhamento de informações pessoais pelos jovens de hoje, integrantes da Geração Internet.

 

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Segundo o autor, a Geração Internet não entende por que a privacidade é importante.

"A Geração Internet pode ter superado os baby boomers no uso da tecnologia, mas essa é uma área em que não superou as pessoas da minha idade. Na faixa dos quarenta anos de idade, sabemos que as atividades noturnas da nossa juventude podem não parecer muito positivas. Mas a maioria dos integrantes da Geração Internet, por ser jovem, não está pensando muito no futuro."

Talvez a Geração Internet não entenda mesmo a importância da privacidade. Mas talvez esta geração realmente não veja importância na privacidade. São novos valores para um mundo em que eles estão construindo para si mesmos, não para os baby boomers. E aqui cabe um trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço:

"Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente."

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 Eric Schmidt, CEO do Google, propôs uma solução para o problema dos jovens compartilharem informações pessoais das quais podem se arrepender depois. Ele disse acreditar que adolescentes deveriam ter o direito de mudar seus nomes ao atingir a idade adulta, para separarem-se dos registros online de bobagens compartilhadas em redes sociais. E ele estava falando sério. Fonte: Read Write Web.

Talvez em um futuro em que não tenhamos mais nomes, mas sim usernames, isso possa realmente funcionar...

Marcos Malagris

Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM.
Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.
                                     

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