16 Jul 2010

Por que para algumas pessoas é tão difícil escolher?

Sofremos com nossos desejos infinitos e nossas possibilidades e recursos limitados para satisfazê-los. Esta situação gera a necessidade do processo de escolha. Precisamos planejar como alocar nossos recursos, como tempo e dinheiro, para conseguir maximizar o resultado desse investimento e conseguir atingir nossos objetivos, buscando tirar o máximo de proveito de nossas decisões.

No entanto, diversos processos psicológicos estão envolvidos na capacidade de uma pessoa de tomar decisões, notando-se que para algumas pessoas é fácil e não desprende-se muito tempo com a escolha, enquanto para outras, o processo é longo e penoso. Ou seja, nem todos lidam com o processo de escolha da mesma forma.

 

Por que para algumas pessoas fazer escolhas é uma tarefa tão difícil, enquanto outros conseguem decidir rápido e não pensar tanto nas consequências?

É o que tentam explicar Barry Schwartz e colaboradores no artigo Maximizing Versus Satisficing: Happiness Is a Matter of Choice, onde situam as pessoas em relação a dois extremos, os maximizadores e os satisfazedores.

Os maximizadores examinam todas as informações e opções disponíveis com o objetivo de fazer a melhor escolha possível. No entanto, se a busca por informações totalmente apuradas e completas for impossível ou impraticável (e quando não é?) e a pessoa for obrigada pela realidade a fazer uma concessão, então ela abandonará a busca e irá finalmente decidir, convivendo com a dúvida de se ainda existiria uma opção melhor. Se por um lado essa atitude culmina, em termos objetivos, na obtenção do “melhor”, por outro, estabelecer a maximização como meta provoca “a possibilidade de ser lançado em uma espiral de ansiedade, arrependimento e dúvida”, como diz o autor.

No outro pólo, os satisfazedores traçam uma fronteira de aceitabilidade, um padrão do que é suficientemente bom, e se contentam com uma escolha que atinja esse critério, sem se preocupar com a existência de opções possivelmente melhores. Desta maneira, sofrem menos com os processos decisórios, já que não gastam tanta energia com o excrutínio de todas as alternativas disponíveis.

Para exemplificar a questão, enquanto os satisfazedores se perguntam “Estou fazendo uma boa compra?”, os maximizadores questionam: “Estou fazendo a melhor compra?”

É importante lembrar que ninguém é maximizador sempre, e provavelmente todo mundo é de vez em quando. A tendência à maximização geralmente ocorre em certas áreas ou esferas da vida, e o que diferencia os maximizadores dos outros é o alcance e o número de decisões que o indivíduo toma seguindo essa dinâmica.

 

Quer saber se você é um maximizador? Faça o teste da Escala de Maximização.

26 May 2010

O Paradoxo da Escolha

Vou estrear o blog falando de um tema que me interessa muito e, não à toa, virou o tema da minha monografia: o Paradoxo da Escolha.

Entrei em contato com o tema ao assistir a palestra do psicólogo Barry Schwartz no TEDTalks, depois fiquei tão interessado que comprei o livro e li outros artigos do autor. Resumindo: Ele definiu a questão do Paradoxo da Escolha como uma oposição a verdade absoluta de que mais opções e escolhas significam maior liberdade e um nível maior de felicidade. Dando exemplos do nosso cotidiano, ele mostra como as opções de escolha, em todas as esferas da vida, não param de aumentar e como isso pode ser prejudicial.

Quem nunca foi comprar um celular e ficou perdido diante de tantas opções de aparelhos e planos? É isso que Schwartz mostra. O aumento do número de opções pode causar paralisia e gerar processos psicológicos que nos fazem adiar as decisões.

 

 

Outra TEDTalk interessante de Schwartz: The real crisis? We stopped being wise

E na onda do Lost, J.J. Abrams falando sobre a importância do mistério

 

Marcos Malagris

Profissional de Marketing Digital, graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e cursando Pós-Gradução em Marketing e Design Digital pela ESPM.
Acredito na Internet como um ferramenta incrível de potencialização da Inteligência Coletiva e da Cultura Colaborativa.
                                     

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