16 Jun 2010

Achievements: dos jogos para a vida real

No meu post "Social gaming, jogadores casuais e como os jogos podem mudar o mundo", falei sobre a ampliação da presença dos jogos no cotidiano e a expansão dos jogos sociais e dos jogadores casuais. No final, postei também a palestra de Jane McGonigal, sobre como podemos incorporar características positivas e motivacionais dos jogos na vida real. Segundo ela, para aprendermos a resolver os problemas do mundo real, precisamos gastar mais tempo explorando os mundos virtuais. Enfim, vale a pena perder ganhar 20 minutos vendo o vídeo.

Continuando nessa linha, a influência da cultura dos jogos no nosso dia a dia pode ser notada em algumas redes sociais. O Foursquare, uma rede social de geolocalização, é um exemplo desse fenômeno, já que distribui pontos e "badges" de acordo com o que você faz. Se você visita muitas vezes um lugar, ainda pode virar o "prefeito" de lá, o que gera uma disputa entre os participantes.

Quem tem acompanhado a evolução dos jogos vê claramente que esta é uma característica que está muito presente nos games atuais: os achievements. Achievements são pequenas conquistas que não necessariamente precisam estar no caminho do objetivo principal do jogo, como por exemplo, matar 100 inimigos, descobrir uma passagem secreta, jogar o jogo por uma hora etc.

O post do GeekDad na Wired "Why Aren’t Games About Winning Anymore?" discute como os jogos não são mais sobre vencer ou se chegar ao final, mas sim desbravar os achievements presentes no jogo. O autor trata isso com pessimismo, falando que os jogos se tornaram mais complicados e que os desenvolvedores adicionam esses novos objetivos para fazer com que as pessoas gastem mais tempo jogando.

Na palestra abaixo, Jesse Schell fala sobre como ele acredita que os achievements já estão sendo incorporados no nosso dia a dia, e, apesar de mostrar também o lado positivo, deixou muita gente assustada com a possibilidade de viver em mundo em que se mantém um registro de todas nossa ações.

Apesar da apresentação dele assustar um pouco, eu concordo que o log das nossas ações pode nos ajudar a ser melhores pessoas e querer deixar um legado melhor para nossos descendentes. Acho interessante pensar que daqui a algum tempo todos terão o registro das músicas que ouviram e dos filmes que assistiram (o que já acontece através do Last.fm e Filmow, por exemplo) e que no futuro nossos netos, bisnetos etc. poderão ver nossas preferências de consumo cultural, e até quais eram nossos lugares favoritos, através do Foursquare, ou seu equivalente no futuro.